Confronteiras


 A Confronteiras é uma revista mantida e editada pelo Instituto de Ciências Humanas (ICH) da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA) de âmbito nacional e que tem como objetivo contribuir para elevar o nível de qualidade em publicações no vértice das Ciências Humanas em geral e estimular o debate crítico.


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A Revista Confronteiras tem o prazer de anunciar chamada para submissão de textos acadêmicos a serem publicados em setembro de 2017.

Além das chamadas para artigos livres, ensaios fotográficos e resenhas, a revista destaca a publicação de Dossiê Temático sobre Educação do Campo

EDUCAÇÃO DO CAMPO: sujeitos, saberes e trajetórias

Historicamente, a educação formal que tem sido ofertada às populações do campo no Brasil parte de uma perspectiva hegemônica que desprestigia saberes, práticas, realidades e demandas locais e contribui para impor, através da escola, a cultura das classes dominantes (liberal, burguesa, etnocêntrica e urbanocêntrica) como a única legítima. Esse modelo educacional apresenta aos estudantes relações hierárquicas até então desconhecidas pelos mesmos e que justificam distinções de status e classe coercitivamente naturalizadas no conjunto mais amplo da sociedade. Em decorrência, a escola que queremos superar reafirma uma visão estereotipada dos povos do campo, assumidos por ela e por ela obrigados a se assumir como pobres coitados a quem se deve salvar ou mesmo grupos atrasados a quem se deve civilizar, destituídos da condição de sujeitos produtores de conhecimento e cultura. Assim, ao se instituir pela negação da realidade em que estão imersos e da cultura que produzem aqueles a quem pretende atender, esta escola se configura como instrumento de subordinação das populações camponesas e de superação de seus modos de vida, recorrentemente estigmatizados como exemplos de uma indesejável persistência que segue na contramão da história.

  Entretanto, por todo o país, uma miríade de experiências protagonizadas por camponesas, camponeses, militantes, professoras, professores, pesquisadores, pesquisadoras, extensionistas e estudantes apontam novos rumos para a educação no campo, seja pela ressignificação da escola, pela constituição de espaços coletivos não escolares de interação ou por iniciativas que buscam preservar práticas tradicionais ou mesmo estimulam o surgimento de novas formas de sociabilidade. Nos territórios que constituem o Sul e Sudeste do Pará, as lutas populares consubstanciam-se, em boa medida, na reivindicação da Reforma Agrária. Entretanto, esta não implica apenas na conquista da terra, mas refere-se ainda à exigência de ações e políticas estruturantes que se configura, posteriormente, em uma luta empreendida pelos sujeitos quando já de posse da terra. Em outros termos, as lutas dos movimentos sociais nos quais se organiza o campesinato da região visam assegurar condições dignas para a reprodução material e imaterial da vida dos sujeitos do campo em múltiplas dimensões. Assim, a educação, enquanto pauta de reivindicação e política estruturante, tem sido uma área de atuação do Estado fortemente influenciada pela pressão dos movimentos de trabalhadores e trabalhadoras rurais.

  Neste contexto, estimulados pela análise crítica acerca dos elementos que compõem o cenário educacional descrito e assumindo a educação como política estruturante, os movimentos sociais camponeses empreendem a luta por uma educação do campo que vai além da reivindicação da construção de novas escolas ou da universalização da oferta do ensino público às populações do campo. O Movimento de Educação do Campo que se constrói nessa perspectiva se pauta pela defesa de uma educação com uma pedagogia própria e um currículo novo, comprometidos com a realidade e os povos do campo, que reconheça a diversidade de sujeitos existentes, respeite seus saberes, práticas, culturas e contribua com a superação dos obstáculos à sua reprodução material e imaterial.

 Palco privilegiado de experiências concretas de resistência e re-existência de grupos e populações específicas que, somadas, viabilizaram essa construção, o Sul e Sudeste do Pará também viu emergir uma relação diferenciada entre universidade e movimentos sociais no tocante à formulação de propostas de formação escolar contextualizada a partir dos modos de vida e dos projetos dos diversos sujeitos que vivem no campo. A institucionalização do Curso de Licenciatura em Educação do Campo na Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará é apenas uma entre inúmeras ações de ensino, pesquisa e extensão desenvolvidas por diversas instituições e movimentos sociais na região.

  O objetivo do dossiê “Educação do Campo: sujeitos, saberes e trajetórias”, da Revista CONFRONTEIRAS, é se somar ao conjunto de registros dessas experiências, para que possamos seguir refletindo sobre as mesmas e aprendendo com elas. Desta forma, convidamos os sujeitos que têm protagonizado experiências de ensino, extensão e pesquisa em educação do campo, a partir de espaços institucionalizados ou não, a submeter artigos que sistematizem essa diversidade de trajetórias, forjada no diálogo de distintos saberes, no aprendizado mútuo, na perspectiva de reafirmação dos povos do campo na sua diversidade e como resposta à pedagogia dos fuzis empunhada cotidianamente na direção destes segmentos em todo o país.

Atenciosamente, Ailce Margarida Negreiros Alves, Gláucia de Sousa Moreno, Amintas Lopes da Silva Júnior (organizadores do dossiê) e Jerônimo da Silva e Silva (editor da Revista Confronteiras)

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A Confronteiras é uma revista mantida e editada pelo Instituto de Ciências Humanas (ICH) da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA) de âmbito nacional e que tem como objetivo contribuir para elevar o nível de qualidade em publicações no vértice das Ciências Humanas em geral e estimular o debate crítico.

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